Teatro
O teatro como primeiro encontro com a linguagem: o corpo, a voz, a presença e a descoberta de que uma mesma palavra pode carregar diferentes sentidos.
Aqui estão os trabalhos de criação e atuação, de montagens clássicas a processos construídos junto às comunidades, sempre com a responsabilidade de escutar antes de representar.
Jagy Nak: Sabedoria da Terra
Lei Paulo Gustavo · Região dos Inconfidentes/MG · Proponente, coordenação, produção, pesquisa e atuação
Residência artística junto à comunidade indígena Borum-Kren que deu origem a uma vivência lúdico-teatral de plantio, construída a partir da oralidade e da contação de histórias.
O projeto partiu de uma pergunta simples, mas profunda: o que podemos aprender com os saberes ancestrais relacionados à terra, ao cultivo e às formas de vida que se constroem em torno dela?
Sob orientação do cacique Danilo Borum-Kren, a pesquisa percorreu diferentes localidades onde vivem famílias Borum-Kren, passando por Mariana, Itabirito, Ouro Branco, Piranga, Congonhas, Catas Altas e Barra Longa, entre outras regiões relacionadas à presença e à memória dessa comunidade.
A proposta envolveu pesquisa bibliográfica e vivência em campo, buscando conhecer histórias, lendas, práticas, materialidades e fazeres relacionados ao cultivo da terra e à oralidade. O processo também procurou compreender as relações estabelecidas entre território, plantio, memória e comunidade, permitindo que a própria experiência junto às famílias orientasse os caminhos da criação.
Durante as residências, as descobertas foram transformadas em experimentações cênicas, sempre em diálogo com a comunidade. A pesquisa não se propunha a falar sobre os Borum-Kren a partir de um olhar externo, mas a construir um processo de escuta e aprendizado, recebendo da própria comunidade orientações, sugestões e retornos sobre aquilo que poderia chegar à cena.
Desse percurso nasceu uma vivência lúdico-teatral de plantio, construída a partir da oralidade e da contação de histórias. A proposta relacionava teatro, experiência sensorial e cultivo da terra, aproximando os participantes de elementos como solo, sementes, água, sol, tempo, germinação e cuidado, ao mesmo tempo em que permanecia aberta aos conhecimentos e às histórias que emergissem da própria cultura Borum-Kren.
A primeira apresentação foi destinada à comunidade indígena, como forma de compartilhar o resultado da pesquisa e receber sua apreciação. Posteriormente, a vivência foi levada a espaços ligados à valorização da terra e da agroecologia, entre eles o Festival da Terra e o Núcleo de Estudos em Agroecologia da Região dos Inconfidentes (NEA/UFOP).
No projeto, atuei em diferentes frentes: fui proponente e escritora da proposta, coordenadora, produtora, pesquisadora e atriz. Essa multiplicidade de funções me permitiu acompanhar o trabalho desde sua concepção, passando pela pesquisa e organização das residências, até a elaboração da dramaturgia e a presença em cena.
Jagy Nak tornou-se, assim, uma experiência em que criação artística, pesquisa e produção caminharam juntas. Um trabalho interessado em aproximar o teatro dos saberes ancestrais, da relação com a terra e das narrativas indígenas, sem perder de vista a responsabilidade de escutar antes de representar.
Revolixão: O Mistério das Águas
Cia. Lamparina · 2026 · Elenco
Espetáculo infantil da Cia. Lamparina voltado à educação ambiental, com atuação e teatro de bonecos.
A montagem utiliza atuação e teatro de bonecos para abordar, de forma lúdica, questões relacionadas ao meio ambiente, à preservação das águas, à reciclagem e à responsabilidade coletiva. A história acompanha a aventura de três piratas pelo Rio das Velhas, aproximando o público infantil de questões ambientais por meio do humor, da fantasia e da cultura popular.
O espetáculo circula principalmente por escolas, festivais, eventos culturais e espaços públicos, estabelecendo uma relação direta entre teatro, infância e educação ambiental. A proposta também se desdobra em ações formativas e oficinas, ampliando o encontro entre a experiência artística e a discussão sobre sustentabilidade.
O Cravo e a Rosa
Cia. Lamparina · 2024 · Teatro Lambe-Lambe
Teatro Lambe-Lambe: pequenas estruturas cênicas em que a história é apresentada para um espectador por vez.
O Cravo e a Rosa é uma experiência de teatro Lambe-Lambe, linguagem caracterizada por pequenas estruturas cênicas nas quais uma história é apresentada para um espectador por vez, criando uma relação íntima e aproximada entre público, cena e objeto teatral.
Na montagem da Cia. Lamparina, a conhecida história do Cravo e da Rosa ganha uma nova leitura. Em vez da violência sugerida pela cantiga popular, os personagens apenas se desentendem. O conflito é elaborado de outra maneira e, ao final, o Cravo reconhece seu erro e pede desculpas à Rosa.
A experiência trabalha, em uma escala pequena e bastante próxima, elementos de teatro de animação, narrativa, construção de objetos e relação direta com o espectador. Cada apresentação acontece como um pequeno encontro particular entre quem assiste e o universo criado dentro da caixa.
A Cia. Lamparina apresenta O Cravo e a Rosa entre suas Caixas de Teatro Lambe-Lambe, ao lado de outras pequenas montagens da companhia.
A Bertoleza
Companhia Gargarejo · Campinas/SP · Atriz e assistente de direção
Espetáculo inspirado em O Cortiço, de Aluísio Azevedo, que desloca o olhar para Bertoleza, personagem negra atravessada pela exploração.
Foi a partir dos movimentos artísticos de ocupação dos espaços da Estação Cultura de Campinas que participei da formação da Companhia Gargarejo. Nesse contexto, atuei como atriz e assistente de direção em A Bertoleza, espetáculo inspirado em O Cortiço, de Aluísio Azevedo.
O diretor, Anderson Claudir, propôs deslocar nosso olhar para Bertoleza, personagem negra cuja trajetória é atravessada pelas relações de exploração e desigualdade presentes na obra. Colocar essa personagem no centro da criação já era, por si só, um gesto político. Ao longo do espetáculo, uma pergunta retornava continuamente e se transformava em música:
E a Bertoleza?
A pergunta abria espaço para pensar quem ocupa o centro das histórias, quem é lembrado e quem permanece à margem das narrativas.
A companhia, em um primeiro momento, seguiu caminhos diferentes. O diretor foi para São Paulo; a assistente de direção, para Ouro Preto; um ator, para a Bahia; outra integrante voltou-se para a música. A companhia se desfez enquanto grupo, mas A Bertoleza continuou com seu diretor.
E a pergunta também continuou. Ela permaneceu viva em mim e, em diferentes momentos, ainda encontra maneiras de pulsar em outros trabalhos, pesquisas e perguntas.
Rasto Atrás
Conservatório Carlos Gomes · Campinas/SP · Atriz (Etelvina)
Trabalho de Conclusão do Curso Técnico de Teatro, a partir da peça de Jorge Andrade.
Rasto Atrás, de Jorge Andrade, acompanha Vicente, um dramaturgo que retorna à cidade natal e reencontra sua família e as relações que marcaram sua trajetória. A peça se constrói entre diferentes tempos, colocando em conflito a permanência, a partida, os vínculos familiares e o desejo de realização pessoal.
No meu Trabalho de Conclusão do Curso Técnico de Teatro, interpretei Etelvina, personagem marcada pelo sacrifício em nome da família. Enquanto Vicente é aquele que parte em busca da própria realização, Etelvina permanece e vê seus desejos serem deixados de lado.
A personagem carrega a amargura de uma vida construída a partir da renúncia. Sua dureza e seu ressentimento revelam também as marcas de uma estrutura familiar e patriarcal que determinou o lugar que ela deveria ocupar.
A construção de Etelvina exigiu um trabalho intenso de corpo, voz, presença e interpretação, buscando tornar visíveis na cena as marcas de uma mulher atravessada pelo tempo e pelas escolhas que fez (e pelas escolhas que não pôde fazer).
Foi uma das experiências mais importantes da minha formação como atriz, tanto pela complexidade da personagem quanto pelo aprofundamento do trabalho de interpretação.
Os Miseráveis
Montagem em português · Atuação e canto em coro
Montagem em português da obra de Victor Hugo, com atuação e canto em coro.
A obra acompanha personagens atravessados pela pobreza, pela desigualdade e pela busca por dignidade em uma sociedade marcada por profundas diferenças sociais.
A experiência envolveu atuação, canto e trabalho coletivo, ampliando meu contato com uma linguagem cênica em que voz, presença e composição de grupo acontecem simultaneamente.
Morte e Vida Severina
Direção de Euclides Franco · Campinas/SP · Atuação
Adaptação infantil da obra de João Cabral de Melo Neto, pensada para circulação em escolas.
A obra original acompanha a trajetória de Severino, um retirante que atravessa o sertão em direção ao litoral em busca de uma vida possível. Em seu caminho, encontra diferentes formas de morte, pobreza e desigualdade, até se deparar com o nascimento de uma criança, acontecimento que introduz, em meio à dureza da vida, a possibilidade de continuidade e esperança.
Na montagem, voltada ao público infantil e pensada para circulação em escolas, trabalhamos especialmente a prontidão cênica: atenção, presença, escuta e capacidade de responder rapidamente aos acontecimentos da cena.
O projeto não teve continuidade, mas permanece como uma experiência de formação pelo trabalho de preparação do ator e pela adaptação de uma obra de forte dimensão social para o público infantil.
Sítio do Picapau Amarelo
Teatro itinerante · Joaquim Egídio/SP · Narizinho, Emília, Iara e Tia Anastácia
Projeto de teatro itinerante para o público infantil a partir do universo de Monteiro Lobato.
Em Joaquim Egídio, participei de um projeto de teatro itinerante voltado ao público infantil. As apresentações recebiam crianças para vivenciar o teatro de maneira próxima e lúdica, a partir do universo do Sítio do Picapau Amarelo.
Ao longo de diferentes momentos do trabalho, interpretei Narizinho, Emília, Iara e Tia Anastácia.
Foi uma experiência realizada ainda no início da minha trajetória, em uma fase bastante jovem, marcada principalmente pelo contato direto com o público infantil e pela experiência de atuar em diferentes personagens dentro de um mesmo universo cênico.
Prevenção às drogas
Companhia Gargarejo · circulação em escolas · Atuação
Espetáculo apresentado em escolas que abordava situações de risco, vulnerabilidade e violência.
Também pela Companhia Gargarejo, participei de um espetáculo voltado à prevenção ao uso de drogas, apresentado em escolas.
Na peça, interpretei uma adolescente que saía com as amigas, fazia uso excessivo de álcool e, em uma situação de vulnerabilidade, sofria um abuso sexual.
A montagem utilizava a linguagem teatral para abordar, junto ao público escolar, situações de risco, vulnerabilidade e violência.