Extensão e mediação

Foi na extensão que a formação universitária começou a ganhar, para mim, a dimensão de trabalho. Os projetos me colocaram em contato direto com escolas, comunidades, crianças, artistas e públicos diversos, fazendo com que o conhecimento desenvolvido na universidade passasse a acontecer também fora dela.

Igualdade de gênero e literatura negro-brasileira e indígena

Escola Municipal Bento Rodrigues · Mariana/MG · 2021-2022 · Pesquisa-intervenção

Literatura negro-brasileira do encantamento infantil e literatura indígena como caminhos para o enfrentamento das desigualdades de gênero.

Promoção da igualdade de gênero no contexto da pandemia da COVID-19: ações na Escola Municipal Bento Rodrigues a partir da literatura negro-brasileira do encantamento infantil e da literatura indígena.

Uma experiência de pesquisa-intervenção junto à Escola Municipal Bento Rodrigues, em Mariana (MG), utilizando a literatura negro-brasileira do encantamento infantil e a literatura indígena como caminhos para a formação crítica e o enfrentamento das desigualdades de gênero.

Carro Biblioteca da UFOP

Ouro Preto/MG · 2020-2021 · Extensionista

Livros, histórias, brincadeiras e práticas artísticas levadas aos morros de Ouro Preto.

O projeto tinha como objetivo levar a biblioteca e o acesso aos livros para regiões afastadas da Biblioteca Central do Município. Nos morros de Ouro Preto, o encontro com as crianças acontecia entre livros, histórias, brincadeiras e práticas artísticas, aproximando o universo literário do cotidiano e da imaginação das comunidades atendidas.

Mambembe: Grupo de Teatro de Rua

UFOP · Atuação e pesquisa criativa

Pesquisa criativa e montagem de cenas para a rua, na relação direta com o espaço público.

Uma experiência voltada à pesquisa criativa e montagem de cenas para a rua, aprofundando a relação entre teatro, espaço público e presença cênica. O processo ampliou meu contato com as especificidades do teatro de rua e com uma linguagem que precisa estabelecer relação direta com o espaço e com quem o atravessa.

Academia Dell’Arte

Grupo de Pesquisa e Extensão em Commedia dell’Arte · UFOP · 2018-2019 · Atriz (Pantalone)

A loucura de Isabella, de Flaminio Scala, com apresentação marcante em um assentamento do MST em Ouro Preto.

Um grupo dedicado à pesquisa e interpretação dos tipos fixos da Commedia dell’Arte italiana e de suas características históricas e cênicas. A experiência envolveu um trabalho intenso sobre corpo, expressão corporal, voz, presença e construção de personagem.

Como parte desse processo, trabalhamos a peça A loucura de Isabella, de Flaminio Scala, autor italiano considerado uma das figuras centrais da Commedia dell’Arte. Entre as apresentações, destaca-se uma realizada em um assentamento do MST em Ouro Preto. A experiência permanece como uma das mais marcantes da minha formação: anos depois, pessoas daquele território ainda me reconhecem e se lembram da personagem que interpretei.

Me deixei ser atravessada e atravessar a partir de Pantalone, construído de maneira deliberadamente exagerada e repulsiva. A personagem explorava e se aproveitava daqueles que ocupavam posições de submissão, especialmente Arlequim e Isabella, que ele observava com malícia. A construção buscava evidenciar, por meio do exagero próprio da Commedia dell’Arte, comportamentos de abuso, poder e exploração.

Estágio em Mediação Museal: Museu Boulieu

Museu Boulieu, Caminhos da Fé · Ouro Preto/MG · 2022 · Mediadora (primeira turma de estagiários)

Mediação entre público, patrimônio e as narrativas coloniais presentes em uma coleção de arte sacra.

Uma experiência que aproximou minha formação teatral dos espaços culturais, da mediação e das relações entre público, patrimônio e conhecimento.

O Museu Boulieu, Caminhos da Fé, em Ouro Preto, abriga a coleção reunida por Maria Helena e Jacques Boulieu, composta majoritariamente por obras de arte sacra e peças provenientes de diferentes regiões da Ásia, América Latina e Brasil. O acervo permite acompanhar os encontros, conflitos e transformações provocados pela expansão da cultura ibérica e pelos processos colonizadores, incluindo objetos provenientes da Índia, das Filipinas, da América Latina e de diferentes regiões brasileiras.

Fiz parte da primeira turma de estagiários do museu. Por isso, antes do início da mediação com o público, passamos por um período de formação que envolveu estudos de textos, palestras e aprofundamento sobre o acervo e sua perspectiva histórica.

Entre os estudos realizados, investigamos as diferentes formas de presença e colonização portuguesa na Índia e em diversas regiões do Brasil, buscando compreender diferenças e as relações histórico-culturais presentes nos objetos que compõem a coleção.

A experiência me aproximou da mediação museal e me abriu ainda mais os olhos para compreender as relações entre patrimônio, narrativa colonial e arte.